View Full Version : Têmpera diversas


Andreotti
07-23-2002, 04:43 PM
Caros colegas.
Gostaria de propor este tópico, para que aqueles, como eu, que não sabem efetuar têmpera de aço, possam aprender a fazê-lo.
Gostaria de saber como efetuar a têmpera de uma faca, já devidamente desbastada, de aço de mola ( desculpem-me mas não sei o nome).
Também há um problema, no meu caso a têmpera há que ser artesanal, pois disponho apenas de uma forja, e não tenho como medir a temperatura da lâmina, a não ser visualmente.
E mais uma coisa. Não sendo visualmente, como é que se faz para medir a temperatura em que está o aço? Há algum equipamento ou termômetro especial?
E após a têmpera, o que fazer? É o procedimento chamado revenimento?

Atenciosamente.
Abraços a todos.

Alessandro Andreotti

Ferrari
07-23-2002, 07:05 PM
Caro Andreotti, é bom te ver por aqui.

Quanto à têmpera vamos aos passos para uma têmpera simples. A mola é de aço 5160.

Antes de mais nada seria interessante vc fazer uma série de 3 recozimentos para aliviar as tensões. Aqueça a lâmina até um vermelho bem escuro e resfrie no ar. Faça isto 3 vezes e na última vez procure resfriar bem lentamente, de preferência ao lado da forja, com cuidado para não empenar.

Se vc tem a forja aqueça lentamente o a lâmina até atingir a cor vermelho cereja. Procure deixar a lâmina totalmente com esta cor. Tenha cuidado no manuseio para não entortar a lâmina. Verifique se a temperatura está adequada com um imã. Se o imã estiver pegando, a temperatura não está adequada. Quando o imã não pegar mais, esta é a sua temperatura. Mergulhe no óleo, que pode ser óleo hidráulico, previamente aquecido (+ ou - 70º C) e espere a lâmina resfriar totalmente mergulhada. Teste a dureza passando uma lima no fio da lâmina, que não deverá desbastar o aço.

Após isto vamos para o revenimento. Lixe a lâmina que foi endurecida, retirando toda a carepa. Aqueça o forno de sua esposa (gentilmente cedido pela patroa!) no fogo médio. Deixe sua lâmina 1 hora dentro do forno. Após isto retire a lâmina e deixe resfriar lentamente ao ar livre. Vc verá que a lâmina estará com uma cor amarelada. Volte novamente ao forno e deixe mais 1 hora e resfrie ao ar de novo.

Teste esta e depois que vc estiver bom, dê um toque e vamos tentar uma têmpera seletiva.

Esta é uma dica para uma têmpera simples rápida, que trará bons resultados, porém vale lembrar que as melhores têmperas são realizadas em fornos especiais, com um controle rígido de temperatura.

R.Vilar
07-23-2002, 08:42 PM
Olá Alessandro.

O aço que se refere é 5160, e a tempera não é muito complicada,
aqueça-o uniformemente na forja, de preferencia so a lamina não a espiga do cabo, mantenha um imã proximo da forja e va testando, quando o aço deixar de ser magnetico mergulhe-o de ponta no oleo e movimente-o p/ frente e p/ tras, como estivesse cortando e não furando, não sei se estou sendo claro!?
Use oleo hidraulico.
Deixe-a no oleo por 1 minuto + ou- .
Limpe a carepa deixada pelo oleo com uma lixa fina, e coloque-a no forno de cozinha ( isto mesmo eu não estou louco) por duas horas a 180 graus (isto é o revenimento), a lamina deverá ficar com uma coloração palha.
Espero ter ajudado.
Boa sorte .

cabete
07-23-2002, 11:20 PM
Na forja à carvão quais os cuidados para não empenar a lâmina?
Os pedaços de carvão devem ser uniformes?
A lâmina deve ser colocada de pé ou deitada? Ou é indiferente?
E se empenar? Só aquecendo novamente para desempenar ou existe outra forma?
Estou com um monte de mola de Kombi esperando as dicas!

Jeff Velasco
07-24-2002, 03:58 PM
Pedaços de carvão uniformes e relativamente pequenos ajudam a manter uma boa temperatura uniformemente. Podem ser mais ou menos de 3 cm de diâmetro. A Lâmina pode estar deitada sobre o costado na forja a carvão, assim quando a parte mais grossa do costado estiver na temperatura certa, provavelmente o fio também estará, pois é mais fino. Para o revenimento é muito melhor usar um daqueles fornos elétricos (elétrico, não microondas! hehehe) onde se pode regular a temperatura com mais facilidade. A dica do imã funciona muito bem, mas deixe o óleo perto da forja para que você não perca tempo levando a peça até ele, e cuidado com vento e correntes de ar que possam esfriar a faca neste trajeto da forja para o óleo.

Ferrari
07-24-2002, 05:59 PM
Caro cabete,

O empenamento da lâmina se dá na maioria das vezes em duas situações, em seu manuseio e na hora do choque térmico.

Primeiro como disse o Jefferson, vc deve ter cuidado quando colocar a lâmina na forja, de preferência com o dorso para baixo. Movimente a lâmina cuidadosamente para que ela atinja a mesma temperatura. Quando vc retirar a lâmina do fogo, tenha cuidado em seu manuseio para não entorta-la e coloque ela de pé com a ponta para baixo para mergulha-la no óleo, como disse o Vilar. Outro cuidado é vc não deixar a lâmina quente bater nas laterais ou na boca do recepiente do óleo.

Com esses cuidados vc praticamente não terá problemas com empenamentos.


E caro Andreotti, vc viu que o Vilar falou quase a mesma coisa que eu. Então fogo na fundanga e teste a tempera!

Ricardo Lala
07-24-2002, 09:12 PM
olá gente, mas se a lamina empenar, não precisa jogar fora, durante o processo de austenitização do aço, ou seja, após o choque termico e antes de esfriar totalmente (entre 400 e 300 graus +-) pode ser endireitada sem problemas, com um martelo de madeira, e pancadas no lugar certo, tudo se resolve. ;)

José Marcio Cam
07-24-2002, 09:12 PM
Tenho usado óleo para engrenagem na têmpera das minhas lâminas e estou vendo que vocês estão indicando óleo hidráulico, tem muita diferença?

José Marcio CAMACHO
Rio de Janeiro - Brasil

R.Vilar
07-24-2002, 09:14 PM
É que nos temos treinado p/ contar as mesmas mentiras!!:D :D :D

Brincadeirinha!:p
O Ferrari foi foi muito mais detalista que eu, e está perfeitamente certo! Qualquer dúvida é só dar um berro, estamos aqui p/ ajudar.

José Marcio Cam
07-24-2002, 09:19 PM
Ricardo Lala,

Já conseguiu a cópia da fita " The iron miss ...". Passei um e-mail para você mas tive problemas com o ig, você recebeu?
Aproveitando que o assunto é têmpera, alguém poderia resumir as temperaturas e o revenimento para os seguintes aços no forno elétrico: 440, ATS-34 e D-6.
José Marcio CAMACHO
Rio de Janeiro - Brasil

Ricardo Lala
07-24-2002, 09:21 PM
Caro Camacho, um óleo ideal para tempera deve ser fino, ter um alto ponto de fulgor, ou seja, não pode pegar fogo fácil, por razões óbvias, e não produzir muita fumaça, eu uso um a base de parafina, vendido pela Texaco, quando eu comprei eles envasavam em tambores de 20 litros, mas hoje só se encontra de 200, porém voce pode usar óleo de tranformador, que suporta razoáveis temperaturas, ou qualquer fluido de média vicosidade, como o hidraulico, que já foi citado, o importante é ter uma quantidade suficiente para não superaquecer e pegar fogo no balde... :)

José Marcio Cam
07-24-2002, 09:32 PM
Ricardo Lala,

Meu compadre trabalha na texaco (RJ) e já tinha me dito que o óleo ideal só vendiam 200 litros, mas era preciso saber qual o nome correto, você sabe qual é a expecificação? Esse óleo de transformador tem um nome técnico? É que para eu conseguir como meu compadre é necessário o nome técnico.
José Marcio CAMACHO
Rio de Janeiro - Brasil

Ricardo Lala
07-24-2002, 09:51 PM
Sendo assim, lá vai "Iloquench 32", é o nome comercial, mas deve ser útil, v. recebeu minha mensagem privada?

gilson christov
07-25-2002, 11:15 PM
caros colegas
boa noite
gostaria de saber se alguem teria um projeto de forja a carvão para me ceder

ficaria muito agradecido
Gilson
:confused:

gilson christov
07-25-2002, 11:19 PM
colegas

ai vai algumas duvidas

a micarta importada e o celerom tem as mesmas caracteristicas?

como faço o polimento da micarta?

obrigado
Gilson
:confused:

José Marcio Cam
07-26-2002, 07:57 AM
Ricardo Lala,
Não recebi sua mensagem se puder reenvia-la.

Andreotti
07-26-2002, 04:06 PM
Pessoal, obrigado pelas dicas, e irei tentar já nesta semana.

Valeu.

Abraços a todos.

Alessandro Andreotti

Ricardo Lala
07-26-2002, 09:06 PM
Caro Gilson, esqueça este negócio de forja a carvão, use o gás, tá caro, mas ainda vale à pena, é bem mais limpo, prático, e não tem que ficar colocando toda hora mais um pouquinho, fala com o Vilar e ele te manda os projetos, quanto as micartas, o principal é a estética, a maioria tem uma composição básica parecida, o polimento é com lixa dágua, até ficar bem liso, depois politriz com massa pesada, e se quiser, finalise com massa de brilho.
Camacho, cheque suas "privates messages", na página inicial do forum, no rodapé.

ikoma
07-27-2002, 12:39 PM
É isso ai Gilson, esquece esse negócio de carvão, faz uma forja a gás que não é tão difícil assim e usas o carvão pra fazer um churrasco (não esquece de nos convidar), se você for comprar micarta importada tenta comprar também G-10, é mais fácil de lixar, além do mais se você tiver como jatear com micro esfera de vidro, ela fica todo furadinho (texturizado) o que alé de ser mais fácil de fazer melhora a "pega"
Alguém pediu as temperaturas de têmpera do 440-C, Ats34 1 D-6? aqui vai:

440-C:
temperatura de têmpera: 1040 graus
temperatura de revenimento: 204 a 260 graus, recomendo duplo revenimento de duas horas cada.
caso você tenha condição faça um criogênico antes do revenimento.

ATS-34 :
temperatura de tempera: de 1040 a 1080 graus
temperatura de revenimento: você pode fazer um revenimento de baixa temperatura a 205 graus ou então um revenimento de alta temperatura a 510 graus,o segundo é mais comum,também é recomendado o duplo revenimento de duas horas cada.

D-6:

temperatura de têmpera: de 950 a 970 graus
temperatura de revenimento: de 200 a 400 graus também é recomendado o duplo revenimento de duas horas.

Caso você não tenha condições de fazer um tratamento criogênico, o ATS-34 é melhor que o 440-C

José Marcio Cam
07-31-2002, 08:57 PM
Ikoma,
Valeu fui eu quem pediu essa tabela. Obrigado.

José Marcio Cam
07-31-2002, 09:01 PM
Ricardo Lalalalalálá,
Desculpe a brincadeira, mas não resisti. Só agora é que eu consegui descobrir as mensagens privadas, é o problema de BIOS (Bichinho Iguinorante Operando o Sistema).

Jose Marcio CAMACHO
Rio de Janeiro - Brasil

callega
08-02-2002, 06:38 AM
Um pequeno alerta....
Cuidado com os óleos para transformador mais antigos, muitos deles contem PCB que é altamente cancerigeno...
Falando em "cancro", nao é demais falar que as poeiras oriundas dos lixamentos sao perigosas...
Tenho alguns exemplos na familia... A mae do Ivo Tramontina, Elisa Tramontina (fundadora da tramontina), morreu de cancer no pulmao, provavelmente oriundo do pó do polimento dos cabos de chifre.
Toda particula solida aspirada, tende a se depositar no pulmao. Como o pulmao é uma esponja que trabalha epsnadindo e comprimindo, a particula acaba ferindo as paredes internas.. O ferimento é repetido em toda inspiracao.. Com isto, costuma se desenvolver o famigerado cancer...

Saudacoes do povo mais macho do Brasil...

:rolleyes:

Jean H Calleagri
Bento Goncalves RS

Andreotti
08-15-2002, 10:38 PM
olá, pessoal.
queria postar mais uma dúvida, quanto à têmpera. Uma não, algumas.
Quando se efetua a têmpera da faca, esta já deve estar com o desbaste totalmente finalizado, para depois somente ser polida, ou o desbaste feito no aço, na área do fio, deve ser quase completo, e terminado depois?

antecipadamente agradecendo.
Alessandro Andreotti

luisfbm
08-16-2002, 09:57 AM
Olá,

Alguém saberia informar as temperaturas de tempera e revenimento do BG-42. Obrigado

ikoma
08-27-2002, 06:13 PM
Oi

Delpsi, geralmente eu deixo um acabamento médio (lixa 220 ou 120) antes de temperar a lâmina,pois geralmente ela causa um pouco de deformação, além do mais caso você não retire toda a superficie descarbonetada (queimada) durante a têmpera, pode deixar a lâmina sensivel a corrosão nessas áreas.
Você tem que tomar muito cuidado para não queimar a lâmina durante o polimento após a tempera, por isso se possivel faça o polimento com o auxilio de água e com rotação baixa, pois além de não aquecer muito a lixa rende mais.

Luis o BG 42 é um dos aços mais chatos de se temperar, algumas pessoas temperam ele de maneira diferente ao recomendado pelo fabricante e garantem que conseguem bons resultados, más eu não garanto, de qualquer modo tá aqui a tabela de têmpera:

Temperatura de tempera:
de 1066 a 1121 graus, sendo que a 1121 você atinge maior dureza, o problema que o recomendado é deixar o aço nessa temperatura por pelo menos 30 minutos e caso você não tenha uma proteção atmosférica a superficie da lâmina pode ser muito danificada, eu uso um material chamado pró carbon que eu compro em Joinville, é muito bom e não é caro.
O resfriamento pode ser em óleo ou ar soprado.
Como o BG é um aço rápido (tem como caracteristica suportar altas temperatura geralmente próximas de 500 graus, além do mais o revenimento aumenta a dureza do aço ao invés de diminuir) a temperatura de revenimento é bem alta indo de 510 a 566 graus sendo que revenimentos abaixo de 510 não é recomendado.
O duplo revenimento é recomendado e cada revenimento deve ter um periodo de 2 horas aproximadamente.
Caso você tenha condições de fazer um tratamento criogênico, é aconselhavel se fazer um pré revinimento de uma hora a 150 graus logo após a tempera e dai então fazer o criogênico e depois o duplo revenimento, aliás entre os revenimentos as lâminas devem ser resfriadas naturalmente até a temperatura ambiente.
A dureza final vai variar de 61 a 64 Rockwell C, devido a sua alta dureza de trabalho o BG é mais recomendado para facas pequenas e canivetes.

Além da dificuldade de tempera o BG é também um aço bastante caro.

luisfbm
08-27-2002, 08:06 PM
Obrigado Ikoma,

Mas o bicho é chato mesmo

Pelo visto eu acho que vou ficar com o ATS-34

Valeu

Andreotti
09-01-2002, 11:14 PM
Caro Ikoma, Obrigado pela dica.

Pessoal, acho que o nosso fórum, está meio carente de entrosamento. Está faltando um pouco de entrosamento.

Abraços a todos.

alessandro andreoti

luisfbm
09-10-2002, 07:23 AM
Olá,

Venho novemente recorrer aos colegas do fórum, alguém saberia informar as temperaturas de tempera e revenimento do CPM S30V Obrigado

ikoma
09-10-2002, 08:30 AM
Oi Luis

O S-30V é um aço muito versátil, você pode fazer desde canivetes até facas utilitárias de porte grande, na última Blade o cuteleiro Rob Simonich testa uma de suas facas de 7 polegadas feitas neste aço e o resultado é realmente incrivel.
Abaixo estão os valores de tempera para o S-30V:

temperatura de Tempera: 1035 a 1095 manter a temperatura por 15 a 30 minutos
Resfriamento: Ar soprado ou tempera interrompida no óleo (mergulhe no óleo e retire antes que a lâmina resfrie totalmente, mais ou menos 540 graus)
Revenimento: duplo revenimento de 200 a 400 graus por mais ou menos 2 horas.
Criogênico: caso você tenha condições, faça um tratamento criogênico entre os revenimentos.
Dureza: de 58 a 61 HRC
Esse aço é um pouco dificil de dar acabamento (se você quer uma segunda opinão pergunte ao Ivan ou ao Lala), más é também bastante estável, se você temperá-lo corretamente, os resultados são muito bons, nos testes de dureza que fizemos a variação entre uma lâmina e outra era muito pequena, senão inexistente.

luisfbm
09-10-2002, 01:04 PM
Valeu Ikoma,

Eu vi a reportagem, estou com vontade de experimentar esse aço, ele realmente parece ser muito bom, obrigado, um abraço.

Lepazini
09-11-2002, 07:05 AM
Amigo Ikoma:
Estive procurando materias e informações sobre a formação dos Cristais , se vc souber algo sobre as temperaturas que ocorrer corretamente gostaria delas, pois sei algumas más estou em duvida quanto estas:
Vanadium e Tungstenio.
pois a do cromo, ferro, e carbono são bastante simples, de se encontrar.
*Apenas para ionformação geral os dois elementos são encontrados nos novos aços da linha CPM , alem do BG42, e em alguns aços carbono, são altamente toxicos , e se inalados podem ser letais, ao usinalos deve tomar todas as precauções possiveis de segurança, principalmente com as mascaras de proteção.

Grato

Leandro Pazini

ikoma
09-12-2002, 12:25 PM
Oi

Leandro, eu não entendi muito bem o que você quiz dizer com "formação de cristais", você estaria se referindo aos carbonetos?
Obrigado pela dica sobre a toxicidade (é toxicidade sim, eu chequei no dicionário) de alguns elementos de liga do aço, eu geralmente faço a usinagem das lâminas com auxílio de água, o que diminui bastante a emissão de pó e gases, além é claro de usar respiradores.
Abraço

Lepazini
09-12-2002, 01:36 PM
Amigo Ikoma:
ao que pude enteder seria teores de materiais que quando encontrados nos aços estes "Cristais ou Carbonetos"se tornam a principal liga, exemplo:
D2 : possui 12 %cromo , e pode ter até 1.30 Ca , alem dos demais compostos, mesmo assim o cromo sofre grande perda quando aquecido sedendo espaço para esta imensa quantidade de Ca, o resultado final após feita a tempera consta que a realidade de cromo ativo na massa é de 3.5 % , me soou muito estranho isto ,a mesma analise em relação ao 440C 0.90 ca , e 17% cromo, resulta após tempera em reais 7% de cromo, em testes da revista se caracteriza menor redimento quando se tem altos teores de Vanadium e tungstenio, devido a isto procurei informações sobre a temperatura que os elementos entram em processo de formação de cristais, sei que a ordem é basicamente regida pela temperatura:
o primeiro a começar a sofrer as alterações e perder eficiencia é o ferro seguido pelo cromo, carbono, vanadium, tungstenio, ao meu ver isto é muito importante para se saber as perdas e ganhos que cada aço tem, vi alguma coisa na Blade , más a materia era muito resumida , não constava a temperatura, se vc tiver algo sobre isto ou conheça alguma coisa relacionada a estas fusões que ocorrem entre os materiais gostaria de saber pois não encontro nada em bibliotecas ou mesmo na net.
Lhe passarei o numero da blade , se não me engano a materia é do Howard Clark, há antes que eu esqueça vc sabe oque é Matrix?
Pois não sei o significado disto .
Abraços
Leandro :confused:

ikoma
10-12-2002, 06:29 PM
Oi

Pazzini, eu desconheço essa teoria da formação de cristais, o que sei é que os elemetos de liga usados p/ formação de carbonetos atingem alta dureza, e alta resistência ao desgaste, por isso é possivel se obter um aço de alta resistência ao desgaste sem necessáriamente ter que ser mais duro, o que diminuiria a resistência da lâmina, um bom exemplo é o S-60V que com uma dureza próxima de 56 hrc tem sua melhor relação resistência ao desgaste/resistência a impacto, fazendo com que o aço tenha alta resistência ao desgate sem necessariamente ter uma dureza que comprometa sua resistência ao impacto, quanto ao cromo, o que sei é que a quantidade mínima necessária para um aço ser considerado inoxidável é de 12% livre na estrutura na sua estrutura, isso quer dizer que caso durante a têmpera parte do cromo seja convertido em carbonetos você vai precisar de uma quantidade extra de cromo para garantir a resistência a corrosão do aço depois de temperado, como você disse o D-2 tem uma quantidade de cromo de cerca de 12%, teóricamente ele poderia ser considerado inoxidável, más devido ao fato que durante a tempera parte do cromo se transforma em carbonetos 12% não é suficiente, o 440C por exemplo tem 16 a 18% de cromo na sua liga, pois por não possuir nenhum outro elemento formador de carbonetos em quantidade suficiente na sua liga precisa de uma quantidade extra de cromo para garantir a resistência a corrosão, pois parte do cromo de sua liga será utilizado para a formação de carbonetos durante a têmpera, já o S-30V por exemplo precisa de apenas 14% de cromo para ter uma resistência a corrosão similar ao 440C, pois devido ao alto teor de Vanádio e Molibidênio (4% e 2% respectivamente) ele não utiliza muito do seu cromo na formação de carbonetos, e de quebra os carbonetos de Vanádio e Molibidênio são muito mais duros que os de cromo, 66 a 68 HRC para o cromo contra 72 a 77 HRC p/ o molibidênio e 82 a 84 HRC p/ o vanádio.
Quanto a palavra "Matrix" significa "matriz", a menos que você esteja falando do filme "The Matrix" ai nesse caso se trata de um programa que simula realidade, por sinal é um filmão eu recomendo, para uma melhor tradução seria bom ver em que frase a palavra "Matrix" foi usada. Vê se arranja o número da Blade que você viu a matéria, eu tenho um monte delas é bem provável que eu tenha matéria e não saiba, lendo ela seria muito mais fácil de entender a situação.

Lepazini
10-13-2002, 11:52 AM
Amigo Ikoma, vc resolveu um sério problema que eu tinha, achava que estava pensando asneira , pois quando li a Blade, surgiu esta explicação sobre a formação de carbonetos de materiais mais duros que o cromo, fato que se quer eu tinha visto, pois pela logica quando vc tem em uma composição materiais de dureza maior fica claro que estes se tornam os principais ativos na formação de carbonetos, oque eu não conseguia entender, é o fato de vc conseguir chegar a temperatura de os tornar ativos sem danificar os outros elementos que tem seus pontos criticos em temperaturas menores, fiquei pensando como é que a estrutura do aço cria uma proteção para o Ca, Fe , eo propio cromo numa extrutura composta de Si, Va, e Mo pois como vc mensionou estes tem as formações de carbonetos em temperaturas um pouco mais alta, eles assumem o principal papel nesta formação , assim como o Ca no D2, eo Cr no 420 , cara isto é muito 10 , pena que na minha região nao tenho acesso a metalurgia pois é uma coisa que me fascina, tenho apenas oque sai na Blade e na Knives, ha um pequeno resumo que o amigo Rodrigo me deu já ajudou muito a descobrir coisas muito importantes sobre o assunto, quanto aos cristais não passa de uma mensão sobre os carbonetos pois em varios livros vem este termo"cristais de carboneto"


Grato

Leandro Pazini :D

cabete
10-14-2002, 12:52 PM
Pelo visto prestei atenção às dicas de todos e fiz direitinho a lição de casa.
Ontem temperei na forja à carvão ( a única que tenho no momento ) três lâminas em 5160 de Kombi. Após o revenimento duas ficaram com 54 RC e uma com 56 RC talvez porque iniciei o resfriamento em óleo e terminei em água nesta lâmina.
Podem estar certos que não estão falando sozinhos, tem gente ouvindo e praticando!
Obrigado a todos.

Ferrari
10-14-2002, 08:12 PM
Caro Cabete, muito bom, pelo visto vc está pegando o jeito. 54 é uma boa dureza, mas 56 para este aço é ainda melhor.

Qual o óleo que vc usou? Eu só resfrio no óleo e consigo boas durezas. Não vejo a necessidade de acabar de resfriar a lâmina na água. Preste muita atenção na cor quando vc tirar da forja e guarde na memória, pois dependendo do local onde vc está e das condições de luminosidade, esta cor pode alterar.

A formação da carepa também é outro sinal de boa têmpera. Ela tem que se soltar sozinha, apenas passando os dedos.

Teste com a lima, antes de revenir e depois do revenimento. Lembre-se de revenir 2 vezes, uma hora cada vez.

Quando vc for revenir de novo, teste outras temperaturas, pois assim vc verá qual dureza vc poderá colocar em sua lâmina.

cabete
10-14-2002, 08:48 PM
Caro Ferrari,
Usei oleo hidráulico se não me engano Shell, peguei na fabrica, vem em tambor de 200 litros. Não é destes vermelhos, tem a cor de óleo normal meio amarronzada ( caramelo ).
Eu dei uma grande bobeada não medindo a dureza antes do revenimento mas quando a gente depende de testes feitos por favor de oficinas de conhecidos fica complicado. Gostei da brincadeira. Ví que mesmo com uma simples forja à carvão dá para se fazer um bom trabalho desde que se siga os conselhos e dicas dos "mais velhos".
O local onde está minha forja é no jardim de casa e muito claro sem cobertura daí ter sido muito importante a dica de usar o tubo furado para colocar a lâmina dentro dada pelo Genésio pois dentro do tubo dava para ver a côr mas quando tirava fora parecia que se apagava devido a alta luminosidade.
Pode ser que tenha exagerado no revenimento pois deixei no forno com chama alta e na realidade as lâminas ficaram bem azuladas em algumas áreas como azul de oxidação de arma.

Ferrari
10-15-2002, 08:40 PM
Cabete, sua lâmina foi revenida a 300º se ela ficou azulada. Baixe a temperatura ( forno médio baixo) e vc conseguirá uma dureza entre 57 - 59 RC. E é este óleo mesmo.

cabete
10-15-2002, 09:30 PM
O comportamento do 5160 Gerdau de outras medidas é igual ao de Kombi na têmpera/revenimento? A pergunta é meio "bobinha" mas o seguro morreu de velho e pretendo fazer uns trabalhos mais elaborados.

Ferrari
10-16-2002, 07:37 AM
Cabete, o aço é o mesmo, com a mesma composição, mas o seu comportamento depende muitas vezes do tamanho da lâmina e sua espessura. Como o 5160 é um aço muito fabricado e muito usado, talvez possam haver pequenas diferenças em sua composição, mas acho q isto não afeta muito o trabalho de têmpera. Pelo menos a gente sabe qual aço é. Um exemplo dste caso são as hastes de amortecedor que o Pazini falou. Elas mudam conforme o fabricante, então algumas pegam uma têmpera excelente, enquanto outras não temperam de jeito nenhum.

Andreotti
11-10-2002, 04:43 PM
Caros Colegas.
Acho que como todos aqui, comecei a fazer minhas facas.
Normalizei os aços, sendo um pedaço de mola de fusca e um de mola de Kombi.
desbastei, lixei e fui à têmpera.
Utilizei-me da técnica aqui aprendida, medindo a temperatura do aço com um imã.
Mas aí, aconteceu um estranho fenômeno.
coloquei o aço, já na temperatura não magnética no óleo, mas ocorreu o seguinte, a carepa impregnou-se de tal maneira no óleo, que não foi possível retirá-la com uma lixa mais fina.
Tive que efetuar um novo desbaste para limpar a lâmina.
Ficou parecendo um aço-damasco, e até que com uma correta técnica de polimento ficaria muito bonito.
O óleo estava dentro de um balde que anteriormente continha cloro para piscina. Não foi lavado.
E ainda, coloquei um pedaço de tijolo dentro do balde, temendo que o aço o derretesse.
Será que há alguma relação?
alguém poderia me explicar o que aconteceu?
Obrigado a todos aqueles, que ajudaram, dando suas opiniões e ensinamentos, vez que, principalmente aqui onde moro, fica difícil a pesquisa e compra de material. Não tem nem banca de jornal.rs.
Valeu.
Alessandro Andreotti

cabete
11-10-2002, 06:42 PM
Caro Alessandro, não sei se terá alguma relação mas qual o óleo que usou?

Andreotti
11-10-2002, 08:38 PM
Caro Cabete, o óleo usado para a têmpera foi um óleo hidráulico.
Abraços.

Alessandro Andreotti

ikoma
11-10-2002, 08:44 PM
Oi
Alessandro, provavelmente o fenômeno que aconteceu com suas lâminas, foi descarbonetação, seria preciso mais informação pra ter certeza, más tudo leva a crêr que foi isso mesmo o que aconteceu, a descarbonetação acontece devido ao oxigênio que em altas temperaturas queima a superfície do aço, criando a "carepa", e em alguns casos mais extremos a descarbonetação danifica bastante a superfície do aço deixando-a porosa e irregular, isso talvez tenha causado a aparência de aço damasco nas lâminas, más não se iluda a descarbonetação é prejudicial a lâmina e caso ocorra deve ser totalmente removida, pois na região afetada devido a queima, a estrutura do aço não é mais a mesma.
a temperatura e o tempo de encharque (tempo que a peça permanece na temperatura de têmpera, "soaking time" em inglês) influenciam na descarbonetação, quanto maior a temperatura e/ou maior o tempo de encharque maior a descarbonetação, a utilização de um forno com um bom pirômetro para medir a temperatura ajuda, más como você usou um imã para medir a temperatura acho que você ainda não tem um, certo? O imã ajuda bastante, más lembre-se que ele mede a temperatura mímina e não a máxima, eu explico, vamos supor que a 1000 graus (estou apenas chutando a temperatura) o aço não seja mais atraido pelo imã, a 1200 graus ele também não vai ser atraido, portanto o imã serve apenas para dizer que o aço esta a mais de 1000 graus, e caso você tenha passado da temperatura ele não vai adiantar muito, o jeito é testar várias vezes a temperatura para saber o momento exato que o aço deixa de ser atraido pelo imã.
Quanto ao óleo talvez ele tenha até influenciado, más acho improvável que tenha causado tanto dano na superfície do aço a ponto de deixar ele parecido com um aço damasco, pois o tempo que o aço fica em contato com o óleo é muito curto.

callega
11-11-2002, 03:45 AM
Será que o delpsi nao passou em muito a temperatura critica??
Qdo iniciei a nobre arte, tbem cai neste erro. Aí o grao aumenta e fica um lindo desenho parecido com bolhas na faca.. Dificil de tirar, mais duro que o aco temperado.. Nao guardo nomes de "ites" e "itas" da vida. Mas segundo me recordo, o aquecimento muito acima da temperatura critica causo o aparecimento de uma 'ita' da vida mais dura e mais quebradica.
Alias, parece que alguns ferreros da antiguidade faziam isto de proposito, antes do forjamento. Apos reduziam a espessura da lamina forjando a temperaturas baixas, isto quebrava os cristais grossos, mantendo a dureza.
Sei la se isso nao foi uma aluciancao braba, mas acho que li algo em algum lugar...:smokin

cabete
11-11-2002, 05:55 AM
Quando liguei minha forja pela primeira vez ( à carvão ) e não usava o cano furado para colocar a lâmina dentro fui aquecer umas molas de Kombi para recozer e algumas ficaram bem estranhas, era um damasco em camadas de aço 5160 e camadas de ar! Detonou! Fez buracos e algumas até se partiram em duas !
Ocorre que na forja à carvão a distribuição de calor não é homogênea, fica bem mais quente no centro dependendo do sistema de distribuição do ar da ventoinha.
Quando o Genésio me deu a dica do tubo furado e passei a usá-lo tudo se acertou pois ele funciona quase como um forno. Homogeiniza a temperatura em seu interior.
Como tenho uns pirômetros em casa vou até fazer uma experiência de colocar um termopar dentro do tubo devidamente encamisado e medir a temperatura em várias posições assim talvez possa ter um bom indicador da temperatura dentro do tubo e melhorar o controle sobre a forja.

rsfjr
11-15-2002, 08:44 PM
Caro Amigo Cabete,
Gostaria de saber onde posso encontrar esses termômetros que agüentam altas temperaturas.

callega
11-17-2002, 10:14 AM
Bixo, nao sei o que tu vais fazer com um termometro, espero que nao seja pra forjar. Numa forja a carvao, a temperatura varia de acordo com a distancia da origem do vento. Tu podes notar que a cor do fogo é mais branca na base e vaise tronando avermelhado conforme afste para a parte superior. Isto se tu usar ar entrando por baixo.
É mais viavel supor a temperatura pela cor do aco.
Todos casos, para estas temperaturas altas, normalmente sao utilizados pirometros óticos, caros pra caramba. existem alguns infra vermelhos no mercado que atingem temperaturas altas.
Tbem podes us\ar um termopar atipo K (alumel Kolumel) e um termometro digital. Facil de encontrar.;
Da uma olhada nesyte link http://www.westyorkssteel.com/Heat_Treatment/htchart.htm
É sobre cores e temeperatura do aço
:smokin

rsfjr
11-17-2002, 02:29 PM
Caro Amigo Callega,
Agradeço à tu pelo endereço que me enviaste, embora eu já soubesse sobre as cores relativas às temperaturas, o site é muitíssimo interessante.
Quanto ao termômetro, eu estava mais interessado em medir temperaturas de 0 °C à 350 °C, pois na hora do revenimento é difícil especificar a temperatura do tanque de areia, e toda vez, tenho que ficar "testando" a temperatura com um pedaço de aço polido, pela cor que este adquire.
Mais uma vez, eu agradeço.

callega
11-17-2002, 02:52 PM
Bão, aí é mais fácir.
Eu tenho um otimo termometro infravermelho, mas eles tem uma incerteza de medicao meia grande. E sem contato, percebendo a radiacao do material, como nas camaras de visao termica.
Existem os de contato, pra colocar em cima de uma chapa. Nao acho bom, é fraco e impreciso.
Os de imersao, com poço protetor sao o s melhores. Fortes e precisos. desde que bem cobnstruidos.
Estes caras da Novus tem equipamentos muito bons (claro né, sao gauchos) e baratos.
http://www.novus.com.br/
Estes tbem sao bons.
http://www.fullgauge.com.br/
Eles mesmos podem te informar representantes.
Eu, usaria um indicador digital e um termo-par ferro-constantam (tipo J). Um poço de aço inox. Assim tu podes retirar o tero par e uasr em ourto canto.
Pq nao compras um controlador de temperatura? Ai,, tu ganhas o termometro.
Outra coisa importante. Sei que nao entendo muito da coisa, mas acredito que para que as tensoes sejam liberadas, deve-se manter o aco por um tempo prolongado na temperatura deasejada. Isso, so com controlador..
Os manuais de aço costumam recomendar de uma hora até 6 horas na temperatura, dependendo do aço.
O revenimento feito na chama, no meu entender, so diminui adureza da parete mais externa do aço.
Mais uma coisa, esta tua areia deve estar com um diferencial grande de temperatura. Meça a temperatutra na camada superior e depois na parte inferior. Nao me espantaria se a difereca fosse maior que 10 graus.

:smokin

rsfjr
11-17-2002, 03:49 PM
Amigo Callega,
Agradeço mais uma vez, gostei muito dos produtos da NOVUS, principalmente o Termômetro Portátil "NOVUS 51".

R.Vilar
11-17-2002, 04:16 PM
E ai Gaucho Macho ! Blz?
A tempo não nos falamos.

Arakawa
O aprimoramento técnico é sempre bom, mas não sei se é preciso gastar muito dinheiro com termómetros e controladores , pelo menos agora no início. Se vc coloca sua faca na areia e precisa ficar medindo a temperatura com um aço polido, a dica que te dou é p/ dar uma lixadinha na faca, apenas p/ tirar a carepa do óleo, e ir verificando a cor na propria peça, pois o corpo de prova é de gometria e massa diferente da faca.
Vc já tentou fazer revenimento em forno de cozinha? Parece estranho mas é simples e funciona.

callega
11-17-2002, 04:42 PM
E ai sr PAULISTA...
Tudo 3kg.. Vamos vivendo. Fazendo facas e ´pescando bagres.. Fui pra prai e afofei neste feriadao. Peguei um monte de bagres com mais de 3kg (estoria de pescador, 2kg cola?). Tbem peguei muitas corvinas de 4kg.. Afofei..
Tenho teus pedacos de guajuvira, pro arco.. La na regiao de Bento, trabalhamos com arcos tbem, arco can, arco zio, arca mastela.. Vou mandar a guajuvira do Camacho tbem..
Tu nao vais acreditar, minha forja a ags esta sendo fabricada...
Tbem devo confessar que a qualidade das minhas facas aumentou muito apos passar algumas horas com vcs.
qto ao forno, tbem tenho utilizado um forno eletrico da minha mae.. Funciona legal. O termostato é mais doido que eu, mas inicando por uma temepratura menor, verifico a cor da faca (limpa, senao minha mae me mata), até chegar aonde quero.. E olha que termometro e controlador de temperatur nao me faltam.

:smokin

cabete
11-17-2002, 05:23 PM
Caro Arakawa,
O Callega te respondeu praticamente tudo. Eu estou procurando aprender as coisas pelo lado prático antes de montar a parafernália tecnológica pois o conhecimento ninguém nos tira. Se tiver um belíssimo termômetro digital e fizer tudo com êle o dia que pifar ou faltar energia vou ficar perdido. A tecnologia é importante mas antes dela acho que temos que dominar os conhecimentos antigos de têmpera/revenimento pela côr, imã e outros truques.
Quanto aos pirômetros existem inúmeras marcas e modêlos com imensas variações de preços e recursos dos equipamentos. Tem que analisar bem o que você vai querer do equipamento e depois partir para orçar.

Ferrari
11-18-2002, 05:48 PM
Concordo com o Vilar. Acho q no início o forno de casa serve muito (mas muito mesmo!!) bem. Tenho feito ótimas têmperas em minhas facas e atualmente não troco por forno nenhum. Inclusive sou da opinião de q fornos elétricos com um controle rígido de temperatura são excelentes para aços de ligas complexas, como o 440C, ATS 34, enfim. Para os nossos 5160 e 1095 tá bão demais o forno da véia. Esse negócio de termômetro, pirômetro, infra-vermelho... Tudo caro se dá pra fazer no zóio mesmo.

callega
11-19-2002, 03:51 AM
Concordo plenamente.. Mesmo tendo varios destes equipamentos na mao, prefiro temperar na forja a carvao.. Assim, posso endurecer as partes que eu quero; o fio,por exemplo; sem endurecer o que nao quero. Acredito que esta seja a maior vantagem da forja a carvao, calor localizado.
:smokin

ikoma
11-20-2002, 05:25 AM
Oi
Realmente alguns tipos de aço exigem um forno mais preciso para se obter uma tempera adequada, esse é o caso dos aços com que eu trabalho. Temperatura de tempera acima de 1000 graus, duplo ou triplo revinimento de 2 horas, as vezes com tempertura acima de 500 graus, longo tempo de enxarque(tempo durante o qual o aço deve permanecer na temperatura de tempera) o que exige atmosfera protetora para evitar descarbonetação, são algumas das razões que me levaram a fazer um forno eletrico digital, porém para temperas de aços mais simples, um velho forno de cozinha funciona bem, e custa bem mais barato,um forno elétrico como o meu pode fazer temperas seletivas más dá muito trabalho, e não vai ser necessariamente melhor do que uma boa tempera feita na forja ou no maçarico, além do mais dificilmente a gente acha um forno ideal pro nosso serviço e se acha, vai custar o olho da cara. por isso só recomendo fornos de alta precisão se você for trabalhar com aços de alta liga, nesse caso eles são impressindíveis.

JosuéH.M.Araujo
11-20-2002, 03:58 PM
Na minhas peregrinações para aprender a forjar e demais tecnicas tambem costatei a versatilidade da forja a carvão e o fato de poder manter num ponto só o calor , podemos fazer varias formas de aquecimento , tempera e revenimento com ela.
No xerox que passei para o Ricardo Vilar tinha uma forma de revenir ou dar tempera localisada atravez se um bloca de metal previamente aquecido na . O dorso da faca era posto sobre o bloco encandecente, ocalor passava para a faca por condução.
Pelo que li era para aliviar as tenções da tempera.
Uma forma de revenir????
Ou oque??:confused:

Ferrari
11-20-2002, 05:55 PM
Caro Josué, este método de revenir com um bloco de metal é muito utilizado, particularmente pelos velhos ferreiros. Eu faço o revenimento de talhadeiras desta maneira. Mas espalhando a brasa da forja se consegue o mesmo efeito.

Já utilizei, e ainda utilizo a forja à carvão, mas reconheço que à gás é mais limpo e fácil, além de não ficar todo "encarvoado" após uma damasqueada. Além disso a forja à carvão não perdoa erros, se o peão bobear perde a faca.

callega
11-21-2002, 03:28 AM
É bem por aí. Eu ja perdi algumas laminas na forja a carvao.. tanto temperando como forjando.
A forja a gás tem mais calor e mantem uma temperatura mais uniforme. A froja a carvao tem menos calor, mas atinge varias temperaturas, dependendo da distancia da entrada de ar..
Tenho feito algumas temperas seletivas na forja a carvao.
Argola, revenir na forja ouy no bico de solda, tenho duvidas da funcionalidade. o revenimento nao é pra aliviar tensoes da tempera? Acho que na chama, a temperatura nao fica uniforme no interior da lamina.. A temperatura fic amaior na casca e menor no interior da lamina. Para ser unifomremente distribuido, deve-se manter um certo tempo na temperatura de revenimento, uniformizando a temperatura em toda secao da mesma.
logicamente, o ferro aquecido quebra o galho, na falta do forno.
Esta opiniao é minha, e nao necessariamente correta.:smokin

ikoma
11-22-2002, 03:33 PM
Oi

Callega, você tem razão em parte, mesmo o Fisk que tempera na forja ou no maçarico recomenda o revenimento no forno. mesmo que seja um forninho de cozinha, pois o tempo é parte importante no processo de revenimento, o longo tempo permite que as tensões do aço sejam aliviadas de maneira eficiente e uniforme, já o revenimento na forja ou no maçarico não tem o mesmo efeito, porém também aliviam as tensões do aço e é melhor do que deixar o aço sem revenimento, é muito difícil controlar a temperatura do revenimento no maçarico ou na forja, por isso processos como o descrito pelo Josué e pelo Ferrari ajudam bastante ao se fazer um revenimento sem a utilização de um forno, a temperatura é transmitida mais lenta e uniformemente, e o controle da cor do aço fica mais fácil.
Eu particularmente prefiro usar o forno sempre que possível para garantir um resultado mais uniforme, lembre-se que metodos como o do bloco de ferro era da época em que forno era só pra assar pão.:D

JosuéH.M.Araujo
11-22-2002, 07:35 PM
Espero ter escrito certo.
Nessa apostila tem um detalhe curioso sobre a zona de queima. sendo que temos uma area de queima que descarboneta a lamina e outra que carboneta, ou seja uma area oxida outra reduz. Dai que é possivel adicionar carbono ao metal ou descarboneta- lo .
O titulo la começo da minha réplica é o do topico da apostila ou artigo.
No momento vou ter que mandar fazer uma 8 copias para os meus amigos de forum e de forja.
Acho legal resgatar tambem as manhas dicas e soluçoes de antigos ferreiros e ferramenteiros. O Callega , Ferrari, Cabete e D'Bem tem posto aqui muitas coisas que fazem parte de gerações de ferreiros e forjadores.
Eu não sabia que isso é uma coisa que pega e vicia, mas é um bom vicio.
Esses dias em uma conversa com minha Avó ( 89 Anos ) eu vim a descobrir que o pai dela Sr. Cleto Fantazinni forjava mil coisas, ela me contou da forja da bigorna e da oficina mecanica e fabriqueta em Lavras Minas Gerais. Mineiro e Italiano. Pão de queijo com vinho...
Pode???
E o outro bizo mexia e agitava com o couro . Plem, Plem, Plem, Martelo no aço .
Ferrari . Ta chegando a Hora........
gostaria de já estar mais adiantado nessas artes.
Mas como diz a minha avó . Piano , Piano....
Callega de uma mãozinha com o italiano....
He,He,Heeee!!!!!??

Vida marvada !!!!!

rsfjr
11-23-2002, 01:27 PM
Defenderei as forjas à cavão até a MORTE!:eek:

callega
11-29-2002, 07:29 AM
Concordo plenamente com o Ikoma, alias, foi o que eu queria dizer..
Adoro minha forja a carvao, mas o nono Munhol, que forja lamina alguams molas pra mim, usa o forno a oleo diesel pra aquecer secoes grandes de aco. Ele tem mais de 45 anos de forja.
Agora, o fato de ter varias zonas (calma gurizada) de aquecimento é a maior vantagem do carvao. faco temepras seletivas na forja, aproveitando o calor concentrado dela. na forja a gas nao seria possivel.
Agora, vai aquecer uma barra de meia polegada na forja a carvao..
cada uma tem suas vantagens..
:smokin

Andreotti
12-10-2002, 09:59 AM
CAROS COLEGAS.

Após muitas tentativas, inclusive com a primeira faca, que julgava pronta, vez que desbastada, temperada, lixada, polida e encabada, mas que, dobrou a ponta como manteiga, quando a tentei prender em uma tábua de carne, :D , efetuei mais duas.
Desta feita com mola de fusca, novo desbaste, têmpera, revenimento, polimento, só faltando o encabamento.
Parece que acertei, coloco o fio das lâminas em um bloco de latão e desço a marreta, entra uns 02 mm, e nada de entortar.
Será que deu certo?
Espero que sim.
Abraços.
Alessandro Andreotti

Andreotti
12-10-2002, 10:06 AM
Lendo e relendo diversas vezes estes tópico, tenho que me lembrar de agradecer a todos pelas dicas, deixando de nominá-los um a um, para não cometer uma indelicadeza.
Mas nesta releitura, quando do mergulho da lâmina no óleo, para a têmpera, vi que o Ferrari recomenda que se deixe a lâmina esfriar totalmente no óleo, enquanto o Vilar, fala em deixá-la por alguns minutos.
Isto é uma questão de técnica, ou depende do tipo de aço ou tamanho da lâmina a ser temperada, ou ainda, é uma questão de gosto pessoal.
Relembro aqui, que minha têmpera ( já estou me achando expert. rs) é feita com base no ima e no óleo hidráulico.
Abraços a todos.

Alessandro Andreotti

cabete
12-10-2002, 11:21 AM
É Alessandro,
Esta dúvida assola nossas cabeças de principiantes e às vezes dos cuteleiros velhinhos também!
Acho que o primeiro teste tem que ser o teste da lima.
O Genésio deu a dica de levar para testar nos SENAI de cada cidade pois eles medem a dureza e emitem um laudo o que pode inclusive ser repassado ao cliente se for um profissional. Não em todas as lâminas mas em uma amostragem.
Acho que este é uma das poucas desvantagens da produção artesanal para a industrial. Devido a pequena escala e portanto um pequeno volume de grana circulando fica difícil ter um durômetro na oficina à menos que o cara seja um tremendo sortudo e encotre um dando sôpa em algum ferro velho que não sabe do que se trata, coisa praticamente impossível.
No mais acho que dá para se "sentir" a dureza durante a afiação e bolando alguns testes de uso da lâmina.
Quanto a deixar a lâmina esfriar completamente ou não creio que se a tirarmos muito quente para deixarmos esfriar ao ar livre poderemos estar induzindo um "pré-revenimento", sei que este têrmo não existe mas estou tentando explicar o que pode ocorrer se tirarmos a lâmina ainda à 300 graus ou mais.
Alguns usam no 5160 terminar o resfriamento em água. Já ví casos em que o cara usa óleo sobre água assim esfria na camada superior em óleo e depois afunda a peça e passa à fase água.
Acho que tudo isto é bem complexo de ser comentado sem uma bateria de testes com posterior medição das durezas resultantes, um trabalho mais científico. Como alguém chegou à conclusão que um complexo aço de alta liga deva ser temperado e revenido da forma complexa como são? Só realizando experiências científicas sérias.
Não se aporrinhe com estas coisas por enquanto, o importante é que já está acertando sua têmpera. Vamos agora tentar umas têmperas seletivas? Estas serão minhas novas etapas de testes em aço 5160. O bom é que se não der certo a gente recoze e tempera novamente!

JosuéH.M.Araujo
12-10-2002, 04:14 PM
E' isso mesmo tem que testar. Aforma mais simles é usa uma lima
se comer o aço da area que será o fio ou corte não está boa a tempera. Se a lima "gritar" apenas, não comer o aço ai sim.
Se ao se passar a lima no dorso da lamina essa comer o aço mas no corte não comer ou não limar ai você foi realmente sortudo.A faca temperou onde intereça e mateve a massa de amortecimento de impacto. Ou seja a tempera ficou como uma seletiva.

callega
12-11-2002, 03:24 AM
Existe um tipo de tempera que ´e interompida em certa temperatura, se nao me engano é martempera. Nao sei das vantagens. Qto a tempera interrompida servir como revenimento, acho pouco provavel, mas um bom revenimento tem por funcao aliviar as tensoes criadas durante a tempera.
Na forja, uma das coisas que mais errei foi na distribuicao da temperatura. Observando o Sfreddo, reparei que ele retirava a peca da forja e esperava a temepratura se distribuir pela lamina. Tentei e gostei. Acho que o ideal é nao deixar a lamina parada no fogo. Costumo movimenta-la pra frente e pra tras sobre o fogo. Outra importante, usar o imã em toda a superficie de corte.
Eu costumo colocar a faca de ponta, no oleo. fica ai ate parar de sair fumaca.
Meu reservatorio é um extintor de incendio antigo, cheio de oleo de motor queimado e óleo diesel, numa proporcao de 2 pra 1. Tem funcionado.
Ontem testei uma faca na frente do "criente". Afiei, cortei papel, cortei um arame de aluminio, depois fui pro toco de madeira e cortei varios pedacos de fio de cobre, cano de cobre, piquei uns pedacos de guajuvira e retornei a cortar papel. Passando a unha sobre o fio, nao se sentia qqer dente. Acho que é mais que suficiente, em termos de fio. Depois disso, o cliente ficou encazntado. Logicamente, fiz o teste sozinho, antes de mostrar pra ele. Senao fica chato, chegar la e mostrar pro cara um pusta dente no meio do fio.
Costumo passar uma lima no fio apos a tempera, pra ver se ficou como queria. uso uma lima pra platinado. Encontra-se facilmente. è chatinha e nao muito agressiva. :smokin

Andreotti
02-25-2003, 05:22 PM
Pessoal,
estive hoje em um ferro-velho, e o dono tinha lá para vender, algumas talhadeiras feitas na forja, utilizando-se do aço de uma barra usada em amortecedores.
Pergunto.
este instrumento serve para serviços pesados, e sua têmpera é realizada de maneira igual às das facas? Há o posterior revenimento, ou deixa-se super-duro para cortar melhor?
Abraços a todos.
Alessandro Andreotti

R.Vilar
02-26-2003, 06:51 AM
Olá Delpsi

Já a algum tempo vem aprarecendo no mercado este tipo de ferramenta feita de haste de amortecedores. Normalmente são usadas p/ serviços pesados. Como é feita a têmpera desta ferramenta não dá p/ te dizer, pois depende de quem produz.
Elas deveriam seguir as regras básicas de têmpera,ou seja:
Aquecimento -choqhe térmico em óleo ou outro meio - revenimento, que deve ser feito em todas as peças temperadas.
Este é o processo básico que deveria ser usado.
Já fizemos facas deste tipo de material, mas por nunca ter certeza de tipo de material é não usamos mais estes materiais reciclados, as vezes depois de forjar uma faca com esta haste ela não temperava por ter um teor de cabono muito baixo.
Ou seja não é um mateiral padrão usado por todas os fabricantes de amortecedores, alguns temperam outros não, mas para treino de forja acho interessante tentar, já que é barato ou de graça.
Não sei te respondi?
Abraços

Andreotti
04-11-2003, 01:07 AM
PESSOAL, TENHAM PACIÊNCIA.

acontece o seguinte, já consegui temperar e revenir e acabar uma faca. UMA, e olha que a coisa está andando há meses.

E ocorre sempre o seguinte, desbasto em lixa grana 80, até uma forma próxima do ideal do fio, para acabar depois.
Mando ver na forja, no óleo e tal, utilizando-me do conceito da temperatura não-magnética.
Só que quando vou limpar a carepa, aquilo não sai, incrustra na lâmina como se fosse um desenho de damasco.
Acho, eu, que é por causa dos riscos profundos demais da lixa 80, e teria que antes de temperar, passar a lâmina pela 220.
é isso?

Abraços a todos.
Alessandro Andreotti

PS, Vilar, obrigado pela dica quanto ao material do amortecedor.

cabete
04-11-2003, 09:11 AM
Caro Alessandro,
Usualmente levamos o polimento até a 220 antes da têmpera. Outro ponto é o óleo, parece-me que o hidráulico é melhor que óleo de motor. Tenho usado o óleo hidráulico e não forma esta carepa dura. E, creio eu, que a temperatura também é crítica, não deixe passar do ponto pois uma sobre temperatura é ruim e destroi inclusive o trabalho de refinamento da forja.

Fazedô di faca
12-12-2010, 11:14 AM
Um pequeno alerta....
Cuidado com os óleos para transformador mais antigos, muitos deles contem PCB que é altamente cancerigeno...
Falando em "cancro", nao é demais falar que as poeiras oriundas dos lixamentos sao perigosas...
Tenho alguns exemplos na familia... A mae do Ivo Tramontina, Elisa Tramontina (fundadora da tramontina), morreu de cancer no pulmao, provavelmente oriundo do pó do polimento dos cabos de chifre.
Toda particula solida aspirada, tende a se depositar no pulmao. Como o pulmao é uma esponja que trabalha epsnadindo e comprimindo, a particula acaba ferindo as paredes internas.. O ferimento é repetido em toda inspiracao.. Com isto, costuma se desenvolver o famigerado cancer...

Saudacoes do povo mais macho do Brasil...
:rolleyes:

Jean H Calleagri
Bento Goncalves RS

kkkkkkkkkkkkkkkkk

Olha, aqui por "cima" a gente tem um povo macho e um povo fêmea também....

E isso é trilegal tchê, tãããão bom.....

kkkk

:101Perdoe-me a brincadeira, mas eu não podia perder a piada.

Um abraço,

:DEduardo :D