View Full Version : Quebrem suas facas!!
R.Vilar 02-08-2003, 10:11 AM Isto mesmo !
Eu não estou maluco! Pelo menos não mais do que o normal :D
Este tipo de teste pode parecer insanidade mas na verdade é a única forma de aprendermos com com nosso trabalho.
Podemos saber a condição de nossa têmpera, qual o limite de troção do aço que trabalhamos, se nosso recozimento está realmente eficaz. Sem contar o fato que passamos a confiar muito mais nas facas depois que vemos o que elas podem aguentar.
É; não é facil fazer uma faca, martelar por algum tempo, lixar temperar, revenir, ufa! e dpois quebrar.
Nas martelanças que fizemos, a última no dia 25 de Janeiro,várias pessoas achavam que estávamos brincando e que não iríamos dobra-las. Alguns chegam a oferecer troca por alguma coisa, só p/ não quebrarmos ou dobrarmos a lâmina. Meu amigo Camacho por exemplo, diga-se de passagem uns dos mais participativos, chega a ficar doente quando sabe que que a peça vai ser destruida. Mas não adianta chorar, o que isto traz de aprendizado é muito maior que a própria fabricação dela.
Felizmente a última faca dobrou a 90 graus e não quebrou.
Se ela quebrar aproveitem p/ olhar a granulação e conferirem o recozimento.Ou então quebrem a ponta.
Abraços
Ferrari 02-08-2003, 03:05 PM Vc está maluco Vilar???:p
Como vamos quebrar alguma coisa que deu tanto trabalho?!!!
Mas realmente às vezes é necessário...
Ano passado tive oportunidade de quebrar 3 facas, somente para analisar se a têmpera estava boa. Quem viu aquela Bowie de 1095 que levei no SPKS? Pois é, a sua ponta foi quebrada para verificação da granulação do aço. A hunter de 52100 e empunhadura de chifre e jacarandá foi batida com toda a força na bigorna, e não quebrou. No Hammer-in do Fisk, tentei dobrar uma faca que foi forjada lá, quase dobrou, faltou muito pouco, mas serviu como aprendizado e foi uma grande experiência, porém pelo fato da faca ter quebrado, pudemos analisar a estrutura do grão e verificar a razão da quebra, que no caso foi um revenimento a uma temperatura muito baixa.
É isso aí...QUEBREM SUAS FACAS!!!:evil :evil :evil
cabete 02-09-2003, 06:07 AM Este teste é muito saudável e a muitos anos é praticado no Brasil por alguns cuteleiros.
A lâmina da foto abaixo ( clique no link ) é de aço damasco muito bem temperado e foi testada anos atrás na presença de cuteleiros, colecionadores e dealers. Acho que só começou a quebrar no ponto que chegou devido o trabalho de lima no dorso.
Tempos atrás apresentei esta foto em um dos tópicos do Sotai.
O damasco e a faca são do D'Bem.
http://fotos.terra.com.br/album.cgi/301309
R.Vilar 02-09-2003, 08:20 AM Se tudo der certo voces poderão ver o que estou falando em video na web. Falar é bom mas mas poder mostrar isto com movimento e som é melhor ainda. Verão que mesmo a faca presa na morsa (ou torno de mesa) não é fácil ela cria uma resistência incrível. É duro de virar tem que fazer força!
Aguardemmmmm!
Abraços
Ivan Campos 02-09-2003, 10:44 AM Juro que eu não entendi o que esse tal de "limite do troção" que você menciona em sua primeira mensagem tem a ver com quebrar facas, Vilar... :p
Falando sério, quero lembrar aqui que esse teste deve ser feito preferencialmente após o teste de corte, pois é muito simples dobrar uma faca mole, que não quebraria mas também não manteria seu fio quando usada. Dobrar uma faca sem testar seu fio só prova que ela poderia ser dobrada, não que a Têmpera foi feita de maneira correta.
Ferrari 02-09-2003, 12:45 PM O Ivan lebrou um detalhe importantíssimo, pois a dobra deve ser feita após os testes da durabilidade e manutenção da afiação. Assim veremos que a faca corta muito e ao mesmo tempo tem uma boa flexibilidade.
José Marcio Cam 02-09-2003, 05:24 PM Vilar,
Realmente eu fico louco quando vocês falam em "quebrar" a faca para testar, mas com esses eventos tenho aprendido muito e realmente acho necessário conhecer o resultado/qualidade dos produtos que fazemos.
Hoje, domingo (+/- 21:20), terminei outra faca que estarei fotografando durante a semana para incluir no meu site que será divulgado no final de semana e posteriormente colocarei uma seqüência de fotos do teste que vou fazer com uma faca das que já estão prontas.
Camacho
camacho@imagelink.com.br
Rio de Janeiro (RJ)
R.Vilar 02-09-2003, 06:45 PM São testes correlatos mas ao mesmo tempo diferentes.
O testes de laboratório são realmente importantes mas não podem dizer ao cuteleiro tudo o que a faca dele pode fazer, sem contar que para uma análise mais profunda os corpos de prova devem ter uma medida específica, polimentos e alguns outros requisitos.
Ele só pode ser feito em 1 corpo de prova, enquanto que quebrar a ponta da faca, não precisa ser um pedaço muito grande, não impossbilita de que esta ponta possa ser reforjada.
E vc pode fazer em todas as suas facas, durante a forja mesmo.
É um teste sem dúvida muito barato que possibilita a qualquer cuteleiro fazer, estando ele em qualquer parte do país.
Não podemos nos esquecer que este forum é visto por cuteleiros de vários estados e p/ muitos fica inviavel mandar amostras p/ análise, não pelo custo em si mas pela dificuldade.
abraços
Hoffmann 02-09-2003, 07:33 PM Lembro-me que há alguns anos, quando tive minha primeira aula sobre tratamento térmico com meu querido mestre Miguel Reis, de Goiânia (fabricante de navalhas e tesouras a partir de aço de rolamento), quebramos diversos pedaços de navalhas que ele tinha em sua oficina para ver a granulação, ou melhor, "massa" como ele mesmo diz. Hoje, minha produtividade está muito pequena porque , se alguma coisa sai fora do meu controle na confecção da faca, já a descarto e transformo-a em corpo de prova. Percebi que não adianta perder tempo com algo que não está do jeito que eu queria que estivesse e, o melhor, é tirar proveito desse erro.
É errando que se acerta.
Milton Hoffmann.
cabete 02-10-2003, 05:57 AM Parece-me que o tópico está tratando de dois testes distintos e ora se fala de um e ora do outro mas sem deixar clara a distinção dos dois.
O Ivan falou de de dobrar a faca após o teste de corte no que foi complementado pelo Ferrari que falou que o teste deve ser feito após os testes de "durabilidade e manutenção da afiação" o que são coisas corretíssimas pois entortar uma faca sem que a lâmina estivesse "pronta", ou seja, temperada, com sub zero ( se for o caso), revenida e afiada e testada seria o mesmo que querer testar um bloco de concreto antes de terminada a cura do mesmo.
No entanto o R. Vilar fala também em quebrar a ponta da lâmina durante o forjamento mesmo e depois fazer nova ponta na forja o que entendo como uma verificação da granulometria do aço e portanto da eficiência do forjamento na melhoria daquele material. O que é um teste distinto do outro que demonstra a flexibilidade do material aliada a seu poder de corte e de retenção do fio. Achei por bem fazer este esclarecimento pois estava um pouco confuso.
callega 02-12-2003, 02:34 PM Pois é, acho que ja escrevi em outro topico, mas vai de novo..
O Gringo Fillipon costuma falar que os antigos imigrantes testavam a tempera de um aco desconhecido quebrando uma peca temperada. Alias, ele fez questao de demonstrar.
Ja quebrei algumas facas, para verificar o grao.. Acho interessante e ensina muito. A corrosao com percloreto é interessante tbem..
Por sugestao, as pecas podem ser feitas mais rusticas. Nao é nescessario um acabamento de primeira, pra algo que vai se destruir.
Pode-se construir "corpos de prova", uma faca sem muita preocupacao com acabamento, com cabo simples. E depois quebrar..
:smokin
Rodrigo Sfreddo 02-12-2003, 05:15 PM Uma coisa que eu nunca vou me esquecer foi uma frase que o Fisk disse várias vêzes durante o curso e que eu repito agora: TESTEM TODAS AS FACAS QUE VOÇÊS FIZEREM! Na época foi difícil imaginar isso,mas hoje é parte da minha rotina. Costumo quebrar a ponta de todas as facas que faço,depois do recozimento e depois da têmpera,mesmo que tenha utilizado o forno para isso;desta forma sei que todas as facas que saem da minha oficina têm a granulação perfeita. Depois testo o fio.
callega 02-13-2003, 03:09 AM Pois é.
na visita que fiz (pra agitar bujao de gas) à oficina Dorneliana e Sfrediana, outra coisa que me chamou a atencao foi a preocupacao com granulacao.
O Sfrddo quebrou uma faca de damasco, com tempera diferencial, e orgulhoso (com toda razao) me mostrou o grao do aco. Fino no fio, aumentando ate as costas da faca.Resultado de um bom tratamento termico.. Quase morri qdo ele fez aquilo...
Se eu tivesse feito isso antes, com algumas facas, teria aprendido mais e mais cedo.. Por exemplo, aquela minha faca temperada com lama radioativa(segundo o Lala) que fico com 60 HRC nas costas e 58 no fio.. <Mesmo assim, a faca pode ser torcida 90 graus, com a mao, sem quebrar oupermanecer torta. Acredito que a manutencao do fio nao deve ser tao boa.
Ontem, fui visitar o nono Munhol e ele me confessou que num lote de facas, algumas nao pegam fio tao facil. Comentei com ele o fato de o grao poder ter crescido. ELe me falou que so arruma uma faca dessas forjando novamente. Isso me leva a crer no crescimento do grao...
:smokin
Lepazini 02-13-2003, 07:40 AM Algumas coisa são feitas de forma tão simples que se tornam rotina:
Quando falamos em grão de aço durante a vinda do Fisk muitos nem sabiam oque era isso, hj vejo que isto se tornou algo tão simples que todos fazem o velho teste de quebrar a ponta da lamina, é a unica forma facil de vc se auto avaliar e descobrir quão boa ou ruim esta a sua tempera, é nem sempre é necessario gastar com maquinas de preço absurdo quando vc consegue um resultado final de ótima qualidade com preço quase zero, tecnicas antigas e conhecimento, estes nada superam, leitura nunca é demais busquem aperfeiçoar os conhecimentos ea qualidade sem ter que inventar uma parafernalia de equipamentos e conceitos que podem complicar muito algo tão simples como a qualidade de tempera de uma faca, outro teste é simples, pequem a lamina e mandem ver em madeiras,ossos, e tudo oque deve ser cortado com uma faca, pois assim vc's tiram qualquer receio que tenham em relação a qualidade de suas facas, ou cortam ou quebram,testes cada um pode criar o seu, muitos devem sim ser seguidos pois já provam sua eficiencia este de quebrar as facas é fantastico.
abraços
Leandro
Ferrari 02-13-2003, 01:14 PM Como disse o Pazini, realmente cortar vários tipos de materiais podem nos ajudar a avaliar uma boa lâmina. Um bom exemplo dito é o famoso 2x4". Quala finalidade desse teste? Simples, quando cortamos uma madeira estamos analisando duas coisas: a capacidade de retanção de corte (que neste teste é secundário), isto é, com isto podemos avaliar a capacidade do fio da faca, se ele quebra (se estiver com uam dureza excessiva), ou pode amassar (se estiver com uma baixa dureza). Mas a coisa que mais podemos avaliar nesse teste é a capacidade da lâmina absorver a energia dos golpes. Se a faca estiver muito dura, ela pode simplesmente se quebrar num teste desse.
Jefferson Berr 02-13-2003, 01:43 PM Tem uma terceira análise também com este tipo de teste, a geometria do fio.
Abraços
Ferrari 02-14-2003, 07:17 AM Realmente Jefferson, bem lembrado.
Vou procurar em meus livros, mas vi um instrumento que o Wayne Goddard usa para testar a geometria do fio. as fotos são legais e dá pra ver a diferença dos fios claramente. Basicamente é uma peça que se prende a faca com o fio pra baixo, logo após ela é solta e corta um pedaço de madeira embaixo. dá pra ver claramente a faca que "rasga" ou amassa a madeira e a faca que corta.
Rodrigo Sfreddo 02-14-2003, 07:02 PM Callega,fico feliz que você lembre do episódio na oficina do Luciano,e que isso tenha lhe ajudado de alguma forma;mas é preciso fazer uma pequena correção: a faca de damasco que eu quebrei aquele dia não tinha o grão fino no fio e progressivamente mais grosso em direção ao dorso. Isso seria prejudicial à lâmina,que deve ter uma granulação fina em toda sua extenção. O que ocorreu é que devido à têmpera diferencial,a parte do fio quebra de uma única vêz,enquanto o corpo da lâmina necessita de mais torçôes para se romper,quebrando por fadiga de material,o que cria arestas e superfícies brutas,dando a impressão de uma granulacão grosseira,fato esse que é ressaltado por a lâmina ser de damasco. Lâminas de damasco apresentam diferenças no aspécto das quebras,por serem constituídas de dois aços diferentes,normalmente ocorre quebra entre carbonetos ou as camadas quebram diferentemente(por diferenças nas ligas,durezas,etc...)dando um aspécto mais bruto na superfície da trinca. Esses fatores variam de acordo com as ligas usadas e o número de camadas. Um grande abraço.
Ferrari 02-15-2003, 11:27 AM Jefferson, achei a foto da máquina.
Ela é chamada chop-o-mattic. logo embaixo vai a foto dos cortes efetuados e suas diferenças.
entre no link:
http://fotos.terra.com.br/album.cgi/254817
cabete 02-16-2003, 02:40 PM Um dispositivo tão simples e no entanto fixou a carga, fixou o curso, fixou o ângulo de ataque, padronizou o corpo de prova a ser cortado e ... Obteve um resultado magnífico, científico e inquestionável. Qualquer um que olhe pode ver o resultado independente de sua pouca ou vasta experiência! Muito bom mesmo. Tenho um catálogo de um fabricante de facas ou canivetes em que aparece uma máquina que faz o corte de folhas de papel amontoadas, é algo bem similar só que acionado pineumáticamente e a eficiencia do corte pode ser medida também pelo número de folhas que corta em uma passada.
callega 02-16-2003, 04:21 PM Originally posted by Rodrigo Sfreddo
;mas é preciso fazer uma pequena correção: a faca de damasco que eu quebrei aquele dia não tinha o grão fino no fio e progressivamente mais grosso em direção ao dorso. Isso seria prejudicial à lâmina,que deve ter uma granulação fina em toda sua extenção. O que ocorreu é que devido à têmpera diferencial,a parte do fio quebra de uma única vêz,enquanto o corpo da lâmina necessita de mais torçôes para se romper,quebrando por fadiga de material,o que cria arestas e superfícies brutas,dando a impressão de uma granulacão grosseira,fato esse que é ressaltado por a lâmina ser de damasco. Lâminas de damasco apresentam diferenças no aspécto das quebras,por serem constituídas de dois aços diferentes,normalmente ocorre quebra entre carbonetos ou as camadas quebram diferentemente(por diferenças nas ligas,durezas,etc...)dando um aspécto mais bruto na superfície da trinca. Esses fatores variam de acordo com as ligas usadas e o número de camadas. Um grande abraço.
Feita a correcao...
Ve como é, pra mim parecia.Nada como o estudo e compreensao do objeto..
Ciencia..
Qto ao episodio na casa do Luciano, com certeza me marcou bastante.. Aprendi muito e percebi que vcs nao estao ai pra esconder nada. Pelo contrario, gostam de partilhar. É logico que tem qeu demonstrar um pouco de interesse. E melhor é que nao me cobraram nada, pelo contrario, me deram uns chifres de "viado" de presente. Logo, logo retribuo.
:smokin
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